É só alegria
Manhã de 20 de maio de 2017.
O Colégio Agrícola Dª Sebastiana de Barros, em São Manuel, SP, Brasil, embora suas instalações estejam na situação de quem já viveu dias melhores, tem um dia de festa.
Recebe 14 dos seus 27 ex-alunos da primeira turma de Técnicos Agrícolas formada na instituição, há 50 anos.
Os meninos, na faixa etária dos 70, são só alegria. Reencontram os que ainda são considerados amigos depois de tantos anos. Tanto abraço, tanto riso, tanta manifestação de alegria nesse encontro de vencedores!
A alegria vem de ter podido chegar até ali, tendo passado por tanta vida, tantos lugares, tantas situações boas, perigosas e tristes, e ainda continuarem a serem mesmos agricolinos de 50 anos atrás.
Alí não estavam presentes o Roberto Lúcio Rêmoli, o José Carlos Aguiar, o Antonio Turquetto, o Hidenori Kudo, o José Rodolfo da Silva Martiker, o Lúcio Jurandir Leite de Andrade, o Gilberto Carreiro, o José Bertholdo, o Wagner Bernardes Chagas, o Adhemar Penha, o Celso Torres, o João Bosco Sliva Corte, o Antonio Benedito Ângelo, Celso Josepetti. Estavam lá o Patagão, o Hiena, o Churrasco, o Kudo, o Zé Trator, o Costela, o Purguinha, o Cego, o Waguinho, o Bode, o Mara, o Baguá, o Jamanta e o Celso.
| 1ª turma de Técnicos Agrícolas comemora 50 anos de formatura Foto de João Abílio Moreto do Jornal de São Manuel |
Eram os mesmos, que alí viveram tantas aventuras quando entravam na juventude, recém-saídos de casa, quase ainda adolescentes, para residirem num colégio interno, na zona rural de São Manuel.
Longe dos pais, da família dos antigos amigos, eles agora tinham uns aos outros, esses desconhecidos, que se tornaram, mais que amigos, irmãos. Como irmãos, às vezes se desentendiam, queriam prevalecer, brigavam. Mas como irmãos eram unidos por algo mais forte que a simpatia, partilhavam o refeitório, o alojamento, as salas de aula… Viveram e cresceram "por dentro”, juntos, um ajudando o outro, às vezes como manco, às vezes como muleta. Uns eram para outros suporte nas horas difíceis e principalmente companhia para boas gargalhas, mesmo quando o motivo delas era a falha de algum.
Os momentos agora vividos abrem uma preciosa gaveta da memória e trazer de volta tantas lembranças boas cuja importância se mostra tão evidente. Fica claro que foram felizes, e sabiam disso, e que tudo aquilo que naquele tempo e lugar aprenderam serviu de base para estruturar tão bem esses 50 anos.
Foram três dias de "só alegria”, como não parava de dizer o Baguá, que se mostrava o mesmo brincalhão de outrora.
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